Domando leões



Quem sobrevive a mim

 

Quando não quero ser eu mesma, saio de mim.

Quando não quero mais investir, me despeço com um tchau suave, meio sem jeito e sem fim.

Porque não sei saber o futuro, nem esquecer o passado.

Quando quero viver o presente me reinvento. Sonho acordada.

Quando não quero mais respirar, me mato. Mato minhas idéias fracassadas e minhas teorias conspiratórias. Assim renasço mais forte.

Quando não quero, não tem jeito.  Mas quando quero...

O difícil é sempre saber o momento. E ele se esconde por trás de relógios imaginários.

Medito no caos, no absurdo. Enxergo nas brumas, sinto o cheiro forte de mirra e vôo.

Não é difícil ser assim, é prazeroso, mas temível. A liberdade assusta, o medo às vezes atrapalha, mas quem sobrevive a mim, não me deixa. E por isso a solidão acaba na verdade vazia, na absoluta e intensa capacidade de querer o mesmo que eu.  

 



Escrito por Érica Marin às 16h04
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Não sabia se queria, mas também não tinha certeza que não.

Não queria se afastar, mas não estava certa de que seria melhor tentar.

Na verdade ela simplesmente NÃO sabia. Não sabia nada, realmente.

Nada de si, nada dos outros, nada do que aconteceu e muito menos do que aconteceria dali pra frente.

E exatamente por não saber, se calava. Mas ainda assim, sentia vontade de falar. Sentava-se, levantava em seguida. Abria a geladeira, ligava a tv. Olhava pela janela, tentava ler. Nada.

Pensou em telefonar. Pensou em se arrumar. Pensou em sair.

Foi dormir.

 



Escrito por Érica Marin às 14h43
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