Quem sobrevive a mim
Quando não quero ser eu mesma, saio de mim.
Quando não quero mais investir, me despeço com um tchau suave, meio sem jeito e sem fim.
Porque não sei saber o futuro, nem esquecer o passado.
Quando quero viver o presente me reinvento. Sonho acordada.
Quando não quero mais respirar, me mato. Mato minhas idéias fracassadas e minhas teorias conspiratórias. Assim renasço mais forte.
Quando não quero, não tem jeito. Mas quando quero...
O difícil é sempre saber o momento. E ele se esconde por trás de relógios imaginários.
Medito no caos, no absurdo. Enxergo nas brumas, sinto o cheiro forte de mirra e vôo.
Não é difícil ser assim, é prazeroso, mas temível. A liberdade assusta, o medo às vezes atrapalha, mas quem sobrevive a mim, não me deixa. E por isso a solidão acaba na verdade vazia, na absoluta e intensa capacidade de querer o mesmo que eu.
Escrito por Érica Marin às 16h04
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