Domando leões



Sinto minha boca adormecida pelo álcool que suga aos poucos a sanidade da minha alma; e contrastante a isso um fervor e uma efervescência que dilata meus poros me fazendo transpirar suavemente os cinco sentidos... minha pele entra em ebulição quando o vejo e isso me mata aos poucos, levando com ele a paz que nunca tive.

Um vício, um alimento. Perigoso, mas necessário. Injusto talvez, mas intenso e quente.

Ele me entende como a um manual e eu observo calada, inerte e muda aos meus pensamentos flutuantes.  

("Mais vale uma Alice voando que mil Alices com os pés no chão")

                                                                                                                                                                



Escrito por Érica Marin às 17h08
[ envie esta mensagem ] [ ]





Fadiga  

 

Cansei de ser a santa, mas cansei mesmo é de ser o demônio.

Cansei de culpar os outros, mas cansei mais ainda de culpar a mim mesma.

Na verdade, cansei de ser a má da história. A madrasta com ares de princesa.

Não sou, nem nunca fui.

Sou meus erros e acertos, como todo mundo é, ou deveria ser, pois tem gente que se esquece disso.

Já menti por medo, já menti por amor, já menti por vergonha. Já omiti por tudo isso também, mas nunca soube amar de mentirinha, sempre e invariavelmente.

Quando estou, estou mesmo, não de brincadeira. Quando sinto me exponho, me entrego, falo, choro, grito, bato, apanho. 

Não durmo com a dúvida de não ter feito o que podia, pois normalmente luto até o fim e até quebrarem todas as minhas armas. Desistir da batalha por falta de forças? Nunca. Odeio gente covarde e fraca.

Só desisto quando não quero mais ganhar; quando o prêmio já não tem mais o brilho de antes.

Na verdade para isso acontecer é mais rápido que o bater das asas de uma borboleta. Sou instável e me apaixono todos os dias. Gosto da idealização das grandes paixões, do sufoco. Se sinto estabilidade, fujo – apesar de querer tê-la – não consigo viver assim. Quero arder, quero prazer, quero ser.

Quem foi que disse que preciso de calma? Prefiro a emoção, o suspiro e o tremor, o nervoso.

Sou o calor, e odeio o frio.

Sou a noite misteriosa, e odeio o dia comum.

Sou o poder, e odeio a mesmice.

Porque sou o negro e não me interesso pelo claro.

 



Escrito por Érica Marin às 00h48
[ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
Outros sites
  Terapia de batom
  Olhar da Becca
  Devaneios
  Muito mais que um jogo
  A vida é uma blog
  Blog do Cazzali
  Reunião de pauta
  Fora da casinha
  Alguma coisa pra dizer
  MEU BLOG NOVO