
Palavras não são escritas; elas nascem. Brotam de dentro da gente como filhos que vêm ao mundo para nos salvar. Nos salvar de nós mesmos, nossos pensamentos e do silêncio que acolhe a solidão. As palavras nos conhecem mais do que nós a elas. São as desconhecidas mais amigas que poderíamos ter, e estarão sempre ao lado, basta deixá-las sair. Para que se façam em linhas é necessário sentí-las. São sensíveis e odeiam ser usadas. Frágeis e fortes, duras ou suaves, não morrem com o tempo – como dizem. São eternas, são marcantes (como fogo na carne viva e pulsante). Elas escolhem uma a uma as pessoas com que convivem. Selecionados calados e atentos que compreendem a importância da dor, do medo e do amor. Poder manter uma relação tão íntima com elas garante um universo cheio de personalidade, onde tudo se torna secundário. Por isso diz-se orgulhoso quem delas sobrevive. O amor às palavras é único, incondicional. Elas não traem, não julgam nem abandonam e se tornam partes do nosso próprio corpo, não envelhecendo nem apodrecendo com ele. E até nos tempos de introspecção, onde o vazio toma conta de tudo, lá estão elas, acolhedoras e quentes, prontas para mais uma ebulição na fervura de uma nova paixão que as façam explodir para fora, encantando e reiniciando, sem nunca jamais parar.
Escrito por Érica Marin às 06h53
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