Anjos e demônios
Uma música que me faça parar de pensar.
O raciocínio lógico e extraordinário que entope as veias do meu cérebro não é capaz de paralisar a passagem mórbida de pensamentos fora de moda. A luta entre a inteligência e a burrice começa aí, em um terreno interno, mas tão desconhecido.
Somos anjos e demônios de nós mesmos, de nossos caminhos confusos e nossos objetivos sem foco.
A ponte entre a verdade e a mentira. Mas será que ela realmente existe?
Onde começa o que realmente importa e o que toma ares reais com a medida em que o tempo vai passando?
A desistência da idéia e do plano. O reforço da razão e da consciência. O que deixou passar da época e que ficou tarde demais para recomeçar.
Velhos e caducos os sonhos não são capazes de se concretizar, eles carecem da jovialidade e impulsividade do desejo sagaz.
Somos ridículos e insistentes, sobrevivendo ao tempo inadequado da saúde mental e atingindo o alto grau da felicidade e da tristeza em pequenos e desnorteados segundos de diferença.
Pedaços de carne, sentidos de pele e cheiro, corpo e alma, sonhos e realidade.
Surtos filosóficos nessas mesas tão conhecidas. Diria que mais conhecidas até que mim mesma. Testemunhos vivos de gente que se mata a cada dia e que nasce assim, despretensiosamente, embelezando até mesmo os sentimentos mais feios que um ser humano possa ter.
Pois é, a beleza rara das abstrações cotidianas.
Obras de arte vivas que respiram, nascem, crescem, se reproduzem e morrem. Ou não.
E a arte, essa mocinha e vilã de nossas utopias de perfeição humana, só mostra o quão visível pode ser nosso corpo, divididos entre prazer e medo, angústia e alegria.
Escrito por Érica Marin às 08h04
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