Domando leões



Le faboulex destin 

Destino fabuloso, era exatamente isso que esperava. Aliás, o destino me parecia bem mais familiar naquela época. Quando se é adolescente ele se baseia em ser bem aceita no colégio, não ter espinhas no rosto, emagrecer alguns quilos, fazer sucesso com os garotos e ganhar boas notas. Enfim, ser a capa da Capricho e da Veja ao mesmo tempo.

Mas, todos os sonhos de consumo se alteram com o tempo, fazendo com que a ânsia do destino também tome outras formas. Agora não desejo mais tanta notoriedade, nem tampouco ostentar uma imagem perfeita inexistente e irreal.

É engraçado como os sonhos simples podem se tornar complicados. É estranha a maneira das pessoas se comportarem quando querem alguma coisa, e mais estranha ainda é a mania de esperar que as coisas aconteçam sozinhas. Não sei se é ceticismo, mas nunca fui muito boa em esperar. Na verdade, odeio espera. Seja em consulta médica, fila de banco, em algum encontro ou durante os atropelos da vida, esperar é algo extremamente difícil, principalmente quando não tenho a certeza de conquistar o que quero. Talvez por isso seja tão ansiosa, beirando ao imediatismo.

E de imediato, sei que o destino não tem nada. Mas, como boa jornalista ou algo que o valha, trabalho com os fatos, e então, nada que ainda não tenha acontecido é de fato, um fato.

Pois é, se Amélie Poulain falasse... Talvez ela fosse eu, ou eu fosse ela de verdade. Se entendesse quão é forte e frágil, misteriosa e tão decifrável como 2+2. Mas a conclusão é que não existe fim para o que ainda não acabou, como um filme de trilogia ou um livro que a cada edição ganha centenas de novas páginas.

O que sei é que nunca sabemos quando é o tal destino, por isso ele deve ser o hoje, com o gosto inesperado do amanhã.

Certa vez pulei uma fase. Fui para o final sem passar pelo meio. Não deu certo. Voltei então para o início e do início ao meio. Agora espero o fim. Deixa estar.

Mas o que importa mesmo é que de um jeito ou de outro, todos nós ansiamos pelo destino como se ele fosse a plena salvação de todos os nossos problemas. O destino representa o reconhecimento de nosso esforço e a regra da felicidade alcançada, o êxtase da realização pessoal e profissional. Mas, será que ele será exatamente assim?

Essa dúvida é que nos faz valorizar a viagem antes da chegada, no segundo lance do acaso.

 



Escrito por Érica Marin às 06h06
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A eternidade de um rei

 

Ele talvez não tenha ficado sabendo. Talvez não tenhamos dito o quanto foi importante pra gente. Na verdade, com as tarefas do fim da faculdade, acabamos por não expressar o devido valor que eles – personagens reais – como afirmamos sempre em nosso livro-reportagem (TCC), tiveram em nossas vidas. Não apenas por terem nos autorizado a cobaia das primeiras entrevistas desajeitadas de jornalistas inexperientes, mas por terem sido exemplos de força e determinação, por terem incentivado um sonho e torná-lo possível e principalmente por compartilhar conosco, até então estranhos, suas trajetórias admiráveis.

Paulo Telles, nosso eterno Rei dos Reis, deixará saudade. À nós, à família, ao samba, ao carnaval, e à cada pessoa que viu seu sorriso nas quadras e no Sambódromo.

Uma lamentável perda com uma lembrança inesquecível impressa em pequenas páginas do livro “O samba transforma”. Pouco, perto do muito que gostaríamos de ter lhe proporcionado, mas muito pelo valor que nos foi apresentado. Agradecemos a imensa alegria estampada naquele segundo capítulo e a honra de conhecer a vida de um homem como poucos.

Pois é, quem é rei nunca perde a majestade.

 



Escrito por Érica Marin às 23h13
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