
Quando as estrelas caem
Quando as estrelas caem não adianta fugir.
Quando elas, uma a uma, caírem em direção ao chão, não corra nem se esconda.
Elas virão todas em sua direção, mas não tente segurá-las.
Elas lhe ferem mesmo sem saber e te fazem sangrar sem que você sinta.
Quando as estrelas caem, elas parecem apenas descer dos céus. Você se pergunta o que fez de tão bom para merecê-las, e não percebe que está morrendo pouco a pouco.
Elas te dão bom dia, tomam café da manhã e almoçam ao seu lado, mas à noite voltam aos seus lugares, te deixando na solidão dos pensamentos confusos.
E quando você não conseguir mais respirar, elas partem.
As estrelas surgem como raios de luz, mas são amparadas pela escuridão. Se mantém do mistério que fascina e do gosto da dificuldade. São doces, afáveis, mas muito frias, tanto que são capazes de congelar até o dia mais quente. Trazem consigo uma felicidade duvidosa e risos nervosos. São vulcõezinhos disfarçados, prontos a entrarem em erupção no céu, ou quem sabe, na palma da sua mão.
As estrelas são lindas, mas bastante perigosas. E quando elas decidem cair, nada as faz mudar de idéia.
Quando as estrelas caem nos dividimos entre o bem e o mal, nos perguntamos de que lado definitivamente estamos e começamos uma grande batalha. Jogamos muita coisa fora e encontramos muitos apetrechos novos que não nos deixam desistir. E aí, nos enxergamos tão distantes que não achamos mais a estrada, escolhemos outro lado e recomeçamos.
Podem pensar que fomos fracos, mas não. Apenas estamos cansados, e essas estrelas já não trazem a alegria de antes.
Decidimos então ficar sem estrelas, no nublado do cinza escuro, vento no rosto e noite de garoa. Uma lua, nuvens negras e só.
Escrito por Érica Marin às 01h33
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