Domando leões



A casa de Alice

 

Muito justa a apresentação do filme “A casa de Alice”, de Chico Teixeira, no Festival da Alemanha. O filme, de 2006, traz a história fictícia (embora muito comum na sociedade) de uma família de classe média baixa que além das dificuldades financeiras, enfrenta as emocionais. Alice, uma mulher forte e uma personagem admirável, mantém um casamento repleto de mútuas traições e conserva um amor genuíno pelo ex-namorado. O relato da história é feita pela visão de sua mãe sobre seu relacionamento com o marido, filhos, casa, e principalmente, com ela mesma.

A mostra marca pela valorização do mundo psíquico dos personagens, não sendo apenas uma vitrine de interpretações, mas de emoções humanas extremamente possíveis e reais.

Seguindo uma linha independente, o filme será projetado em salas alemãs juntamente com outras obras latino-americanas. E para finalizar, uma frase interessante de Teixeira, que nos remete a repensar sobre a cegueira cotidiana e a forma de interpretar a felicidade/ tristeza:

“Sou um homem muito triste, mas não melancólico. Gosto mais de um dia nublado, sem chuva, do que de um dia de sol. Não acredito quando as pessoas falam que está "tudo ótimo". Não está. A vida é muito difícil. Nunca está "tudo ótimo"”.

 



Escrito por Érica Marin às 20h52
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Vende-se a vida

 

Por mais que pareça mentira, eles existem. E nem estou falando dos “profissionais”.

Fiquei indignada com uma matéria que li no Estadão e mais ainda, quando ao digitar a frase “vende-se rim” no Google – conforme indicava a reportagemencontrei vários anúncios, como se vender um órgão do próprio corpo fosse a mesma coisa que vender um carro ou uma bicicleta.

Algumas pessoas realmente não têm a mínima noção do drama que é esse assunto, fazendo dele uma fonte para quitar as dívidas ou comprar aquele objeto de consumo, e consequentemente tornam a dor e a saúde dos outros uma chacota.

Aí pensamos: o pior é que tem gente que compra. Mas não, eles não são os piores da história. Estão em uma fase dolorosa, preocupados entre viver ou morrer e o dinheiro à essa altura, legalmente ou não, poderá lhes garantir a vitória. Portanto, não julguemos quem compra, pois estão no desespero, mas sim quem vende, que certamente poderiam arranjar outra forma de ganhar dinheiro senão em cima da dor dos outros.

Será que eles também vendem o coração, os sentimentos e a alma?

Espero, profundamente, que a conscientização exista de uma vez por todas e que ao invés de vender, as pessoas façam DOAÇÃO. De sangue, de órgão, de amor, de caridade. Somente assim teremos uma sociedade mais humana, ordem e progresso de verdade.

 



Escrito por Érica Marin às 22h53
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Onde os sapos não têm vez

 

Analogia ao sucesso cinematográfico “Onde os fracos não têm vez”, ganhador do Oscar 2008 na categoria de melhor filme.

A trilha sonora perfeita – diga-se de passagem –  acompanha cada cena do roteiro próprio e original, ora dramático, ora comediante, mas que se mantém há algum tempo em um fascinante, porém cansativo, suspense.

Onde os sapos não têm vez retrata as conversas de toilette feminino, dos clubes das Luluzinhas, das noites em que devoramos caixas e mais caixas de chocolate e lemos todos os livros de auto-ajuda existentes, por mais que achemos isso sem graça e de extrema decadência, uma vez que somos mulheres adultas, independentes e inteligentes.

A eterna briga dos sexos, as intermináveis discussões de relacionamento e as mutáveis teorias fardadas a alterações múltiplas, por fases e estações únicas, absurdas, complexas e opostas.

O drible da solidão nos drinks e no rock alto da noite dá espaço à calma serena da leitura no quarto, entre devaneios, lembranças e desejos secretos, ou nem tão secretos assim.

A maturidade que ocupa o lugar da espuma no capuccino com chocolate, novo apreço do outono.

Dessa vez, tratemos da continuidade e da progressão. De como se fez as mais novas páginas do diário da adolescente e tudo que se aprendeu com as dúvidas, os conflitos, os choros, os sorrisos e os medos.

A menina que cresceu, que sonhava em ganhar o mundo e soube em pouco tempo que ele estava dentro de si mesma. O mundo das palavras bonitas, das flores coloridas e das músicas. O mundo que ela construiu com suas próprias mãos frágeis e suaves, mas determinadas e seguras.

A experiência mostrou que a melhor explicação e o melhor desabafo é o beijo. Mãos dadas e malas prontas, um adeus e um recomeço.

Aqui nem os sapos nem os fracos têm vez. Somente os bons e fortes.

 

(...)“E Deus te abençõe nas suas viagens, nas suas conquistas e dúvidas”...

 




Escrito por Érica Marin às 02h44
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