
A antiga religião
Simbologia, paganismo, espiritualismo, intuição, destino ou imaginação. Formas de se manter posicionado em um mundo excêntrico e fascinante, onde as mitologias se tornam historicamente possíveis e a realidade nos refugia em um misto de crença religiosa e governabilidade.
Dentro da cultura da antiga religião, como é chamada pelos historiadores, há uma imensa diversidade de personagens (reais para quem os cultua e lendários para os céticos) que determinam o papel fundamental e enigmático das mulheres desde o início dos tempos e a eterna busca do equilíbrio entre o bem e o mal, alternando sempre com a essencial importância da fertilidade. Mas o que se concretiza é que as inúmeras crenças que temos hoje e levamos adiante como fatos que transcenderam ao tempo, não passam de informações incompletas e manipuladas pelo poder do cristianismo e do governo de uma forma geral, que energicamente apagaram dos registros as mais primordiais teorias da iniciação do mundo.
Deuses e deusas dividiam a mesma glória, mas o seguimento de uma religião feminina e “libertina” não era em hipótese alguma uma vantagem no reinado exclusivamente masculino e repressivo desde os primórdios e então, a analogia ao satanismo era de fato, conveniente à aceitação e alienação da população.
Cada um segue a linha religiosa que mais se adequar, sem se importar na veracidade daquilo que ouve. O velho e (bom?) fanatismo. Motivo pelo qual muitas pessoas se acham no direito de matar ou morrer. Mas, Deus, a Deusa ou qualquer que seja a denominação não é amor?
A palavra bruxa não é algo ruim, como acreditamos desde que nascemos. Seu significado, “velha sábia” e tudo que lhe dizia respeito já foi alvo de muita barbaridade e injustiça, e há quem acredite que a introdução da adoração por Maria no catolicismo foi na verdade uma forma de dar continuidade à Grande Senhora sem que isso causasse represálias. Uma maneira anônima de culto, ainda que desconhecida, manteria acesa a imagem da mãe da natureza.
Ainda assim, os rituais que fogem ao convencional são estigmatizados. É engraçado como a modernidade parece nunca chegar em alguns conceitos fora de moda. Com isso, uma das mais antigas tradições do mundo está caindo no esquecimento.
“Tudo o que era sólido se desmancha no ar, tudo o que era sagrado é profanado, e as pessoas são finalmente forçadas a encarar com serenidade sua posição social e suas relações recíprocas.”
(Karl Marx)

A alienação
Junte o clero com a elite e terá plebeus mansos e ignorantes. As semelhanças com a atualidade não são, de maneira alguma, coincidência.
Nomes como Karl Marx e Oscar Wilde são facilmente encontrados dentre os grandes componentes da construção da história mundial, mas seus feitos, lamentavelmente a cada ano são esquecidos.
A futilidade cultural somada ao capitalismo permite o insuportável índice de assuntos julgados interessantes, e assim o estudo da genialidade se encontra estacionado ou restrito à economia de relações internacionais, sem ao menos possuir a diplomacia. O caos urbano, previsto, mas ignorado.
Não há como negar que passe o tempo que passar a crença religiosa exagerada, a política e a alienação sempre andarão de mãos dadas. Essa é a afinidade mundial e explícita, seja qual for o deus ou regime que se siga. E esse é o preço que pagamos: a burrice do mundo. Os meios de comunicação tentam resistir à tendência, mas vez ou outra não há alternativa. E ainda dizem que existe liberdade de expressão/ imprensa.
Voltamos à estaca zero e os foquinhas, coitados, que acreditavam um dia fazer a diferença, encontram em profissionais mais experientes o conformismo necessário para não sofrer enfartes prematuros. Será essa a tal maturidade profissional?
Peças iguais de um exército que caminha rumo ao fracasso, mas que visa sempre o lucro. É isso que importa: quanto.
Superficialidade, esse é o tema da vez, escondido, claro, atrás da palavra profissionalismo. Pessoas que se anulam ou se esquecem que existe ética e pessoal porque querem cada vez mais o topo dos cargos e salários. A arte, a beleza, a emoção e tudo que as cercam são esquecidas. Será a morte da sensibilidade?
“O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem; a essência domina-o e ele adora-a.”
(Karl Marx)
Escrito por Érica Marin às 00h04
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|